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GUERRA DOS NEOFARRAPOS Enviar por e-mail
Crônicas - Crônicas

Escrito por João Bravo
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Qui, 04 de Dezembro de 2008 13:17
A 20 de Setembro de 2020,inflama pela segunda vez a chama crioula.
Esta data marca, não uma simples data, mas o fim de um período pacífico em um estado guerreiro.
Durante os quase 180 anos do período pós-guerra dos farrapos, os gaúchos limitavam-se a manterem intactas as tradições e viva a alma combatente.
Deste fatídico setembro de 2020, em diante, o governo brasileiro se viu forçado a subordinar seu pensamento á guerra eminente,contra um inimigo poderoso,que muitas nações da America latina,teriam de enfrentar mais cedo,ou,mais tarde.
Oculta no Brasil, uma profunda revolta nascida contra a barbárie dos Estados Unidos, como meio de imporem sua vontade perante o mundo, em suas disputas preservacionistas, em favor de seus interesses.
O governo brasileiro temia, que declarada a guerra, o palco seria o litoral gaucho,onde grandes extensões da costa litorânea dificultariam a resistência.
Não queria uma repetição da pavorosa catástrofe que foi a revolução farroupilha.
Mas o Brasil não podia abrir mão de seu direito soberano como nação, de perturbar a paz da gauchada.
A pátria teria de ser protegida pela violência, impondo-se a soberania por meio de degolas, preciso fosse.
Nosso governo, precisava agora, abordar um problema em caráter de urgência. Desde o fim da Revolução Farroupilha cuidava ele em não permitir o restabelecimento bélico do Rio Grande.
Mesmo falhando nos esforços para desarmar o sul, conseguiu no entanto, reduzir em muito seu poder de fogo.
Era necessário abrandar as carências com convênios, liberando a compra de armamentos em caráter emergencial, sem licitação.
A cargo desta tarefa superfaturada, o ministro da defesa, por coincidência filho ilustre do RS.
O SEBRAI, deveria formar as primeiras guarnições gauchas de holofotes (localização de aeronaves a noite), corte e costura, tricô, crochê e computação.
Enquanto isso o presidente da republica, ao mesmo tempo que tentava conseguir quorum no congresso em Brasilia, a fim de declarar guerra aos EUA evitando assim uma MP, gravava mensagem sucinta a nação:
“O Brasil não permitirá que ninguém atente contra sua soberania, ou, saqueiem suas riquezas.Para isto é que temos governo”.
Rumores de guerra agitavam também as estruturas do poder gaúcho. A perda de milhares de vidas era um preço baixo a pagar, porém, uma eventual retaliação americana, fechando sua já quase falida fabrica de automóveis em solo Rio Grandense era uma visão terrivel ao governo gaucho.
Como justificar anos e anos de isenções e, milhões em incentivos?
Pior, ter de dar o braço a torcer para o governo anterior, que tanto criticaram, por não terem embarcado nesta canoa furada, a troco de verbas de campanha e algumas propinas.
Um fato de importância secundária, mas não menos importante, também aguardava solução.
Em tempos bicudos de guerra, não se poderia confiar em nada e ninguém. O inimigo mora ao lado. Noticias chegadas de fora, ou mesmo, as nascidas na imprensa nacional, deveriam ser interpretadas com reservas.
E neste particular, a nação vinha enfrentando problemas. A cúpula do poder judiciário, havia sido tomada por forças políticas, que teimavam em não abrir mão do poder centenário,que lhes garantiu a boa vida eterna.
A imprensa, preocupada com seu bem estar financeiro ajudava no golpe, embalada pela promessa de recompensa futuras e muita verba federal, em propagandas.
Não era admissível, que após duros combates,que por certo, resultaria em enormes quantidades de prisioneiros de guerra americanos, com a mais vergonhosa das supressões de instâncias, fossem-lhes dado um ou dois HC, por alguns destes dementes de plantão, realimentando a frente de batalha do inimigo.
A percepção da natureza do conflito ficava confusa. Para os Americanos, era uma invasão. Para os Gaúchos era diversão.
Os EUA, alheio aos apelos da diplomacia brasileira, que tentava desesperadamente, uma solução pacífica para o conflito, que certamente resultaria na falência, do nosso já precário sistema carcerário, envia á costa do Brasil, algo com um alto poder de convencimento que chamam de Quarta Frota, pouco menos de 300 navios, quatro mil aeronaves e perto de meio milhão de homens e mulheres, prontos a combater. Era o rebentar da guerra.
Pela primeira vez os gaúchos perceberam que a preponderância naval americana no mar, era bem maior do que mostrara o Globo Repórter.
A eficiência, do uso de lanchas de pesca, contra navios de guerra geraram acaloradas discussões e protestos, obrigando o ministério publico federal intervir, e apresentar denuncia contra o ministro da defesa por corrupção e claro, a abertura de uma CPI básica, para ocupar um pouquinho nossos políticos.
Deste ponto em diante a estratégia estava a cargo de três homens. O primeiro era bisneto de um contra-almirante da Escuna Bela Maria, na guerra da Cisplatina,que tentava reproduzir na situação presente, todas as peripécias a ele contadas pela avó, do parente famoso. O segundo e o terceiro, ex-pracinhas, que lutaram ombro a ombro em terras Italianas, ao tempo da segunda guerra.
Quando estes três homens receberam o comando das forças gauchas,tomaram a si uma causa que sentiam perdida.
Essa convicção foi reforçada quando as verbas para a aquisição de armamentos foram desviadas e o poder bélico já combalido ganhou promoção á pior.
Chegaram a firme conclusão que se os gaúchos cedessem caminho ao avanço americano, a rendição brasileira seria inevitável.
No entanto nossos comandantes, achavam não ser necessário e emprego de armas.
Nesta crença, eles tiveram apoio de um grupo crescente de economistas e, do próprio governo central.
A certeza que o importante era fortalecer o espírito da resistência com algo que valesse a pena lutar ou morrer.
Um gabinete foi montado para análise da conjuntura político,social e econômica do nosso país, para tentar descobrir o que faria um povo lutar com coração e garra, por uma nação seqüestrada por corruptos, achacadas por banqueiros, sem justiça, enfim, o que faria alguém morrer por uma bosta de país deste.
O governo central, enquanto transferia-se para Amazônia, asseverava que só a rendição incondicional dos americanos seria aceitável. Na ocasião nosso presidente comunicou aos Estados Unidos que, a quarta frota ainda estava em uma situação moral capaz de aceitar com alívio a ordem de retorno à águas americanas e, que de parte do Brasil o retorno estava assegurado.Esta seria a única concessão feita pelo governo brasileiro.
Nesse meio tempo, nosso presidente em rede nacional, conclamava ao povo que se dirigissem da maneira que pudessem ás areias da praia.
A cada onda que se quebrava multidões de gaúchos chegavam atendendo ao clamado do presidente...Centenas, milhares,milhões.
Nossos três comandantes então, recebem sinal verde do presidente, para por em prática seu audacioso plano.
Logo que as ordens foram dadas, a frota gaucha pôs-se ao mar. Uma divisão com centenas de canoas, lanchas,caiaques incluindo aí, bóias e pranchas de surf. O objetivo não era alcançar a quarta frota e sim, impeli-los para uma armadilha. Trazê-los o mais próximo possível da praia.
Quando a quarta frota cresceu aos olhos da população revelando toda a sua imponência, veio o golpe final.
Faixas previamente confeccionadas foram abertas a frente do povo com os dizeres:
“COMPRA-SE SUCATAS DE FERRO,COBRE,ALUMINIO,PLÁSTICO. Pagamos à vista”.
Ali acabava a aventura bélica americana.



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Qui, 04 de Dezembro de 2008

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Última atualização em Sex, 05 de Dezembro de 2008 04:13
 
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