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CAPITAL DAS PRAIAS Enviar por e-mail
Crônicas - Crônicas

Escrito por João Bravo
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Qui, 04 de Dezembro de 2008 16:09
Sou o brasileiro típico, aprendi a viver sem maiores luxos como almoçar,jantar, me vestir...estas bobagens.
Homem comum, trabalhador, baixa escolaridade, desprovido do menor traço de algo que se pareça com cultura. Tudo o que quero, é um país sem corrupção, onde se possa viver, trabalhar, sonegar em paz.

Moro em uma bela cidade turística. Olhando para o norte, à minha direita estará o mar, a esquerda uma linda lagoa. Fora do perímetro urbano, cercada por áreas rurais, enfim, um paraíso.

No inverno, sua população fixa é de 37.000 habitantes, podendo chegar a 110.000, em um bom ano eleitoral.
No verão, a população salta para dez, a quinze vezes este numero, graças a turistas, desempregados, andarilhos, criminosos de todos os portes, que buscam na cidade lazer, ou redenção para seus problemas financeiros.

Até os anos 70, a cidade manteve-se afastada de todo e qualquer violência, coisa de pequena cidade do interior. Todos se conheciam pelos nomes ou apelidos.
De tão pequena, quando acontecia algum acidente de trânsito, o prefeito aproveitava o povo reunido para discursar, enquanto um de seus auxiliares diretos, fazia o censo.

De lá para cá, a cidade vem crescendo e com ela a violência, corrupção. Com o tempo ela tornou-se importante para o Rio Grande Do Sul, ostenta o título de “Capital das praias”.
Daqui saíram figuras de peso no cenário político nacional, políticos que logo,logo, terão projeção inclusive internacional, graças a Interpol, DEA ou FBI.

Uma de suas heranças, a compra de votos, tornou-se aqui tão comum e descarada, que a votação é direto no caixa eletrônico.
Dependendo do valor do saque, o voto vai para um, ou, para outro candidato.
Urna eletrônica, foi batizada de Kinder Ovo, nunca se sabe o que sairá de dentro.
Houve até casos de mortos votando. Alertada para o fato, a juíza eleitoral irada argumentou que o simples fato de entrar em óbito, não exime o cidadão de suas responsabilidades.
Se já está assim na política, imaginem educação, saúde e segurança pública.

Estes dias ouvi do prefeito o conceito de democracia, disse ele:
“Democracia é um horizonte de alegrias para o povo”.

Vi-me obrigado a alertá-lo, conceituando horizonte:
“Uma linha tênue e imaginária da qual, quanto mais nos aproximamos, mais ela se afasta”.



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Qui, 04 de Dezembro de 2008

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Última atualização em Sáb, 06 de Dezembro de 2008 05:13
 
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