| A CAVALGADA |
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| Crônicas - Crônicas |
Escrito por João Bravo |
Sex, 05 de Dezembro de 2008 10:56 |
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Quem ouve alguma canção gaucha pensa, que todos os gaúchos moram no Alegrete, não apeiam do cavalo nem pra andar de bicicleta.
Não é bem assim. Realmente é difícil um gaucho que não tenha suas origens no meio rural,como também é difícil, que não tenham algum parente proprietário de terras, seja uma chácara, um sítio, uma fazenda. Toda minha família é ligada a terra. A parte com sangue espanhol, mais da fronteira, domavam cavalos,os montavam como ninguém, laçavam, enfim, mais ligados a pecuária. Já a parte da família portuguesa, tinha engenho de farinha, plantavam e colhiam: feijão, milho, cana de açúcar enfim, mais agrícola. Fui mais ligado a esta última, sendo assim, sei plantar, colher, capinar, já cortei muita malha de cana. Com meus filhos já foi o oposto, apegados a família da mãe, tendo o avô criador de gado, foram criados desde cedo no lombo de um cavalo. Eu, no que diz respeito a cavalos, sei tratá-los, medicá-los,mas...não fico muito a vontade, quando uso-os como meio de transporte. Em uma das raras ocasiões que ofereci-me a prestar ajuda a meu sogro, para banhar o gado, Saí á galope, em perseguição a um boi, que se desgarrou do lote. Quando eu estava já tomando-lhe a frente, o bicho me deu o drible da vaca, ou seja, fez que ia e não foi, e acabando por voltar. O cavalo que eu montava, um crioulo puro, calejado da lide, já sabendo o que fazer, dá uma freada de golpe, chegando a acocorar, para retornar e continuar em perseguição. Tudo isto sem combinar absolutamente nada comigo. A cena foi deplorável, lá estava um cavalo responsável, tentando fazer seu trabalho, galopando á milhão atrás de um boi fujão, com um gaucho de 1.99, como uma trouxa, pendurado em seu pescoço. Meu sogro desconsolado,balançava a cabeça e dizia: -Se juntar estes meus genros tudo, não dá um que preste! Mas tem vezes que não dá para se evitar, principalmente se é para estar mais próximo dos filhos. Foi assim, quando marcaram uma cavalgada de 120 Km com os amigos de piquete, já contavam com minha presença. Como cada um de meus dois filhos, tem seu cavalo, não me sobrava nenhum. Quando achei que estava livre, meu filho busca no fundo do campo o cavalo de um amigo, que não podendo ir, tinha-o emprestado. Como última tentativa de fuga, disse a meus filhos, que não acreditava, que aquele matungo que eu montaria, conseguiria percorrer 120 Km. -Dá nada pai, o Jair ta indo com o caminhão boiadeiro de apoio, se algum animal endurecer, volta embarcado. Sem mais criatividade para tantas tentativas de escape, lá fui eu, lutando desesperadamente para manter-me no lombo do animal, sem parecer um porongo, dando ares de um grande peão. A coisa transcorreu bem até uns dois quilômetros. O cavalo em seu trote de vaca, duro, fazia meus rins saltitarem. Aquele tranquito me fazia sentir dores que fariam uma cólica renal, parecer leve indisposição. Não tinha maneira de parar de doer. Tentei todas as posições, só não mudei de lugar com a cavalgadura, o resto. O trote do animal era tão duro, que não me parou uma moeda nos bolsos da bombacha. A certa altura joguei a toalha, fiz sinal ao Jair para que parasse, embarcamos o cavalo, e fui na cabine do caminhão, tentando me aprumar para que a dor cedesse. Mais a frente quando passei pela cavalgada, meu filho mais velho grita rindo. -Não disse pai, que se algum animal endurecesse, voltava embarcado?! Crie um banner deste artigo em outros sites Para criar um banner deste artigo em outro site, copie e cole o texto abaixo em sua página. Visualizar : |
| Última atualização em Sáb, 06 de Dezembro de 2008 09:07 |

