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PAPAI NOEL CC Enviar por e-mail
Literatura - Contos - Diversos

Escrito por João Bravo
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Sáb, 06 de Dezembro de 2008 16:53
Acredito que uma família bem humorada, supera com mais facilidade os problemas, por maiores que sejam.

Neste particular, toda minha família, sem exceção, costuma encarar todas as dificuldades com muita alegria, fazemos piada de tudo.

Quando reunimos a todos então, é uma festa, rimos do começo ao fim, incluindo aí, qualquer convidado que venha a participar.

Natal de 2000, um de meus parentes á época, secretário de obras da prefeitura, era o anfitrião.

Decorou sua casa com motivos natalinos, mas voltado mais as crianças, que em minha família são numerosas.

Contratou também uma equipe de animadores de festas, formada por um papai Noel, um anãozinho que fazia as vezes de duende, uma fada, e um cidadão fantasiado de veado.

A medida que a família e convidados iam chegando, eram recebidos já com festa e com avisos ás crianças, que não dormissem, pois mais tarde o papai Noel chegaria para entregar-lhes os brinquedos.

Os adultos eram avisados da localização das bebidas, coisa que não poderia faltar de maneira alguma.

As vezes alguns primos bobos, chamavam nossa atenção para suas performances de Hamlet de William Shakespeare, em que minha avó atuava como Ofélia.

Outra vez, lá vinham eles nos arrancando risos com a dupla sertaneja “pedra brita & Zé cascalho”, cantando músicas pra lá de bagaceiras.

Enquanto isto esperávamos o papai Noel, para assim liberar as crianças para o sono e, os adultos para a bebedeira.

A festa prosseguia, agora com uma bateria de piadas, de fazer corar o costinha, já a esta altura, com todos á meio pé na cana, ainda esperando o papai Noel, que já estava, em muito atrasado.

Já quase meia noite, estaciona a frente da festa uma Brasilia, saindo de dentro, o combinado, uma linda moça vestida de fada, um duende, um veadinho e um papai Noel, que não passaria num teste de bafômetro, nem aqui, nem no pólo norte, nem na China.

Deu para perceber pela fisionomia daquela equipe, que eles pressentiram que ali, teriam muito trabalho.

Bem, o anãozinho não parava. Uma Hora vinha um dos meus primos, o colocava no colo para tirar fotos, quando conseguia escapar, vinha o outro e sentava-o em seu colo também, o coitado não conseguiu colocar mais os pés no chão.

O veadinho, que era bem parecido com a vaquinha da Parmalat, tinha as aspinhas cheias de bagulhos, como se fosse um cabide, de sacolas plásticas a enfeites de natal. A fadinha já tinha sido puxada para o canto, por sobrinho solteiro, que já combinava com ela a saída depois do expediente.

O papai Noel, já pra lá de Bagdá, mal conseguia ficar sentado para as fotos, com os capetinhas de meus sobrinhos.

Foi quando o anfitrião se aproximou,colocou seu neto no colo do bom velhinho, para mais uma foto, que o papai Noel o reconheceu da secretaria de obras, flechou-lhe os olhos com o brilho da ira, largou seu neto em cima dos presentes, que estava ao lado, e foi dizendo:

-Pra ti não tem papai Noel coisa nenhuma, seu filho duma égua!...Eu era CC, tu me demitiu, e ainda quer fotinho?! – indo embora



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Sáb, 06 de Dezembro de 2008

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Última atualização em Dom, 07 de Dezembro de 2008 05:11
 
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