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Literatura - Contos - Diversos

Escrito por João Bravo
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Seg, 08 de Dezembro de 2008 13:38
Lá estava eu, quase ao colo de uma linda caixa de hipermercado,que acabara de conhecer havia poucos segundos.

Meus lábios quase a roçar seus seios, meu corpo indo de encontro ao dela, suas mãos de encontro ao meu, eu sem conseguir controlar-me, sem nada poder fazer, tudo sob olhares incrédulos de uma fila de clientes, que a tudo assistiam, sem nada entenderem...

Mas convém começar pelo começo, antes que me tomem por algum tarado.

Minha cidade é pequena. Até bem pouco tempo, qualquer nova tecnologia tardava uma eternidade até a ela chegar.

Lembro-me que em 1978 no colégio, ao excursionar até a capital, para uma visita ao planetário, entramos em um centro comercial para os lanches.

Foi nosso primeiro contato com uma escada rolante.Alguns alunos assustaram-se e corriam, outros não acreditavam que aquilo andasse sozinha, e procuravam descobrir onde estavam os anõezinhos.

As professoras tomadas pela emoção, tendo a certeza que por trás da mente brilhante que gerou aquela maravilha tecnológica, estava todo um trabalho de muitas colegas, abraçavam-se e choravam.

Quando em nosso município, construíram o primeiro prédio com elevador, foi um feito tão importante, quanto o lançamento da Apollo 11. Até festas de aniversários eram feitas em seu interior.

Até o inicio dos anos 80, a coisa mais moderna e avançada na cidade era a cooperativa telefônica.

Você dava o numero a atendente, sentava-se e aguardava não mais que três horas, até que lhe chamassem a alguma cabine, com a ligação já completada.

Telefonar era um evento social, tanto era assim, que bastava algum amigo passar de terno, de banho tomado, todo alinhado e com cabelo lambido, o pessoal começava a gritar:

-Vai telefonar para Porto Alegre é?!

Bem, morar em um lugar assim e não ter espírito cigano, é a receita perfeita para a alienação.

Nunca precisei e nem gosto de sair de minha cidade. Já passei mais de 10 anos sem ir á capital.

E foi assim, após um destes longos períodos de retiro, que um amigo convida-me a acompanhá-lo, até um hipermercado em Porto Alegre, recém inaugurado. Contrariado, não tive coragem de declinar de seu convite, então...

Após rodarmos 200 Km, chegamos ao estacionamento do referido estabelecimento. Logo percebi que os banheiros que tanto povoavam meus sonhos já faziam alguns Km, tinham suas entradas, pela parte externa do prédio. Disse a meu amigo que fosse a frente, que eu iria ao banheiro e já o alcançava, antes porem, num sopro de inspiração ele disse-me que, estaria próximo ao caixa 45.

Ao voltar do banheiro, não pude acreditar no que via, um mar de cabeças em movimento, como que um formigueiro que acabara de ser pisoteado.

Na tentativa de localizar o caixa 45, percebi que seria deveras laboriosa a tarefa de decidir entre os caixas: 45A, 45B, 45C...e por aí vai.

A vontade que tinha, era sentar-me no chão e chorar, até que um PM atencioso, viesse a meu auxilio, pegando-me pela mão, ajudando-me a encontrar meu amigo.

Consegui contudo encontrá-lo, compramos e nos dirigimos aos caixas, cada qual em algum que estivesse menos obstruído.

Logo encontrei um caixa livre, e que me chamou atenção por estampar em um expositor, justamente a cola-tudo que eu precisava.

Enquanto distraidamente tirava do carrinho as mercadorias e alcançava-as a linda caixa, olhava para o expositor calculando como apanhar a cola.

O expositor estava a minha esquerda, a cola caprichosamente a uma altura considerável.

Para pega-la era necessário virar-me dando as costas para o caixa, escorando meu traseiro no balcão, para usar a mão direita.

Ainda faltando centímetros para alcançá-la, fiquei nas pontas dos dedos dos pés, e quase sentado no caixa.

A linda caixa, atenta as suas contas, sem perceber-me sentado em seu balcão, aciona sua potente esteira rolante, que eu sequer sabia existir, a fim de trazer as compras o mais próximo de si possível, nunca passei tanta vergonha na vida.

O resto vocês já sabem...



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Seg, 08 de Dezembro de 2008

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Última atualização em Ter, 09 de Dezembro de 2008 08:21
 
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