Parece que você não efetuou o “login”, ou não é registrado. Cadastre-se, é gratuito. CLIQUE AQUI
 
A FEITICEIRA DA MINHA IRMÃ Enviar por e-mail
Literatura - Contos - Diversos

Escrito por João Bravo
(0 votos, média de 0 em 5) "Caso queira votar neste texto, clique de uma a cinco estrelas"

Seg, 08 de Dezembro de 2008 14:38
Nunca fui supersticioso, ou melhor, resisto muito em sê-lo. Dizem que a superstição é a religião dos fracos então, procuro me policiar.

Minhas irmãs, por sua vez, sempre andam ás voltas com benzedeiras, cartomantes, rezas, despachos. Sempre tem alguma simpatia, seja para furos em pneus até estouro na conta corrente.

Em umas destas voltas que a vida dá, me vi mergulhado em problemas, parecia nadar em má sorte, tipo: “um dia, dois problemas”, coisa normal, mas que á época parecia sem explicação e fora de propósito.

Minhas manas correm a uma cartomante, destas que desentortam até arco- íres e advinha?...de acordo com ela as coisas estavam pretas pro meu lado, até o universo conspirava contra mim e por óbvio, minhas irmãs não permitiriam que eu caísse as garras de inimigo tão poderoso.

Assim, não me perguntem como, mas conseguiram me arrastar até uma benzedeira para de inicio, um banho de descarrego.

Nas contas de minha vida, não consigo lembrar de algo mais constrangedor.

Chegando lá, ela veio com alguns galhos de arruda, como que a fazer um teste de reação alérgica, sempre rezando em baixo tom.

Concluída esta etapa, conduziu-me até um quarto, decorado com motivos religiosos, mandou que me despisse, ficando só de cuecas, e após ficasse em pé, dentro de uma enorme bacia de alumínio, que mais parecia uma parabólica buscando sinal do além.

Era um mês de julho, e aqui no sul, este mês costuma ser um aperitivo do inverno, e eu ali, magro, retesado e só de cuecas, era uma visão dantesca.

Minha pele, parecia pele de galinha frita, de tão arrepiada. Minhas cuecas, quase não mais paravam nas saliências de meus ossos da bacia.

Quando senti um punhado generoso de sal, seguidos de sussurros de preces, começando a ser esfregado pela cabeça, depois no pescoço, nas costas.

A sensação que eu tinha, era de estar sendo desbastado com uma lixa 100, ou então, massageado com um ralador de coco. Aquilo fazia a sensação térmica ser de um grau negativo. Eu era só tremores.

Terminada a sessão, não pude sair ali de pronto, ela pediu-me que ficasse imóvel na mesma posição por alguns minutos, tipo, aguardando a aprovação dos mediadores.

Neste momento flechei os olhos em um pequeno espelho que só agora percebera.

A visão foi terrível, ver a mim mesmo, em pé, dentro de um bacião, magérrimo e com o corpo coberto por cristais de sal, foi demais para mim, eu era a imagem e semelhança, de um palitinho da Elma Chips.

Quando saí, todo envergonhado, arranhado e vermelho, minha irmã sentindo-se realizada por ter me convencido diz:

-Ah!...agora sim, entrou pálido e caidinho, e agora ta aí, corado que dá gosto!



Crie um banner deste artigo em outros sites


Para criar um banner deste artigo em outro site,
copie e cole o texto abaixo em sua página.




Visualizar :

A FEITICEIRA DA MINHA IRMÃ
Seg, 08 de Dezembro de 2008

© 2010 - Autores.com.br


Última atualização em Ter, 09 de Dezembro de 2008 12:45
 
Comentários (0)
Somente usuários registrados podem comentar!