| O COMISSÁRIO |
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| Literatura - Contos - Diversos |
Escrito por João Bravo |
Qua, 10 de Dezembro de 2008 05:58 |
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Verão, sol, mar, muitos turistas, obrigam o governo do estado do RS, deslocar para o litoral um reforço de policiais, que chamam de “operação Golfinho”.
Este contingente, conhecido por “reforço”, costuma trazer certa preocupação aos nativos, por tratarem-se de estranhos a comunidade, causando não raras vezes, alguns dissabores aos cidadãos da terra. Em 1984, preocupado com o grande numero de delitos envolvendo jovens, o Juiz determinou que todo o menor que chegasse a cidade, desacompanhado dos pais ou responsáveis legais ou ainda sem autorização por escrito dos mesmos, deveria ser detido e conduzido a CEBEM (centro do bem estar do menor), de onde só sairiam com a presença de um responsável. Não existia conselheiro tutelar ou conselho e sim, comissários de menores nomeados pelo juiz. Geralmente os comissários se dirigiam a rodoviária em grupos que se revezavam, e lá permaneciam de manhã a noite. Quando era feita alguma detenção, o comissário mais antigo, passava um rádio ao plantão do comissariado, dizendo qual a ocorrência e os nomes e quantidade de menores que estavam sendo deslocados para lá. Era uma questão de segurança, já que o transporte até a CEBEM,era feito geralmente pela brigada militar ou policia civil. Em uma ocasião, eu estava a rodoviária junto a três menores, quando a viatura da brigada militar foi acionada, para deslocar-nos até a detenção da instituição. Assim que estacionou e os PMs saíram de seu interior, o Comissário responsável apontou para nós e disse: -São estes aí, é só levar até a CEBEM! – falando, e dando as costas, para prosseguir na ronda. Um a um fomos sendo revistados, até que por último chegara a minha vez. Peraí Tchê!... – Disse eu. -Peraí o cacete, mãos no capô e abre as pernas! – berrou o brigadiano. Ao me revistarem encontraram um revólver Argentino calibre 22. -Que tu ia fazer com isto aqui, matar policia é?! – berrou o PM. -Peraí tchê, tu não me... Não consegui falar, senti o frio do aço das algemas apertando meus pulsos, e um tapa esquentar minha orelha. -Vocês não podem fazer isto! – protestei. -Ah, não pode é...não pode! – disse o PM. Senti uma pegada por trás de minhas calças, a parte inferior de minhas cuecas trancar no cóccix e o resto indo até meu omoplata, faltando-me chão abaixo de meus pés, e voando como uma trouxa para dentro do camburão. Quanto tentei argumentar mais uma vez, o PM gritou ao colega: -Para!, para!, que o malaco tá cantando muito! - disse o PM ao colega. A viatura parou, tomei mais um monte de porradas, aí me calei e entreguei a Deus. No plantão do comissariado de menores, os PMs nos deixaram na viatura, e se apresentaram ao plantão. -Estamos trazendo os menores apreendidos na rodoviária! – disse um deles. O plantonista então pergunta: -Cadê o comissário responsável?! -Que comissário responsável? – pergunta o PM. -Ué, o que estava conduzindo os menores, e a arma aprendida!. - diz o plantonista. Crie um banner deste artigo em outros sites Para criar um banner deste artigo em outro site, copie e cole o texto abaixo em sua página. Visualizar : |
| Última atualização em Qui, 11 de Dezembro de 2008 08:41 |

